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URUCUM |
Urucum
Edegar da Silva (*)
Procuro relembrar e registrar os hábitos culturais que já foram abundantes no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Em termos de cultivos muitas são as espécies que já foram banidas dos hábitos da nossa população e algumas ainda restam no interior dos nossos municípios, mas também fadadas ao progressivo desaparecimento, caso não haja algum trabalho de resgate e de preservação junto às nossas comunidades. A riqueza de outros tempos acaba dando lugar à tecnologia e aos hábitos importados que substituem a diversidade alimentar, de usos medicamentosos, de matéria primas artesanais para o vestuário e toda a sorte de meios de vida que se perdem ao longo do tempo. Um destes exemplos é a cultura do urucum.
Urucum é uma planta da família das Bixáceas, originária da América do Sul, cuja principal espécie é a Bixa orellana L., também conhecida como colorau. Muito comum entre as tribos indígenas do norte do país, o urucum era inicialmente um poderoso corante usado em muitas cerimônias para a decoração e pigmentação do corpo. Hoje existem tribos indígenas amazônicas que firmaram compromisso de remessa de extrato de urucum para empresas de cosméticos da Europa e Estados Unidos da América. A produção de colorau em pó nos estados da Amazônia é expressiva, tendo como concorrente principal a China. Vários são os nomes em países de língua espanhola, mas o principal é anchiote, enquanto nos de língua inglesa denomina-no de arato.
A planta atinge até 4 metros de altura e as sementes onde se concentra o urucum (ou colorau) dão em cachopas recobertas por espinhos flexíveis com vários frutos que são colhidos e secos ao sol. Aqui no Litoral Norte antigamente eram muito usadas as sementes ainda antes da secagem para dar coloração ao arroz, a molhos ou a carnes brancas e além da coloração conferiam um sabor especial a estes alimentos. Além de ter uma ação espessante que se assemelha a maisena. Desta forma o urucum fazia parte da cozinha tradicional da nossa zona colonial.
Um outro uso muito comum era no tingimento de roupas usadas ou tecidos em geral, atém de algodão e lãs, conferindo-lhes uma coloração alaranjada forte e muito viva. Substituía com vantagens os corantes artificiais e com baixo custo. Na verdade o colorau substitui o açafrão, a páprica (produzida a partir do pimentão) ou o tomate. Como vantagem principal pode-se citar as características medicinais do ururum que registram efeitos favoráveis em relação ao males do coração, prisão de ventre, hemorragias, afecções do estômago, como expectorante e males do peito.
O urucum é também uma planta ornamental de bonito porte e que na época da floração apresenta belas flores que atraem insetos diversos com sua forma atrativa. Como antigamente se usava, serve para plantio nos jardins e hortas domésticas junto das casas. Uma espécie que os poderes públicos do Estado ou dos municípios poderiam estimular fornecendo mudas para a população e incentivando o plantio em suas casas na cidade ou no meio rural.
(*) Técnico Agricola e Jornalista
- 17-11-2009 |
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Osório e a Araruta. |
Artigo escrito pelo jornalista e Técnico Agrícola Edegar da Silva.
Osório e a Araruta.
Recebi uma notícia sobre um fato acontecido em Conceição da Almeida (BA) no último dia de 13 de setembro, com a realização de um treinamento de produtores rurais sobre o cultivo da araruta (Maranta arundinaceae L.), uma cultura que já foi tradicional aqui em Osório e em todo o Litoral Norte e hoje está esquecida.
Em 07 de agosto de 1978 publiquei no Correio Rural um artigo sobre as potencialidades da cultura da araruta na região colonial do Litoral Norte gaúcho. Logo depois o assunto ganhou destaque na revista rural O Tatu, então ligada ao movimento dos sindicatos de trabalhadores rurais do Estado, que publicou um artigo assinado por mim e com fotos do experimento então feito na localidade de Laranjeiras, aqui em Osório.
Sobre o experimento desenvolvido em Osório, se descreveu o seguinte: “Plantou-se, em novembro, um canteiro de araruta de fécula no espaçamento de 4,5 m x 1,5 m entre plantas. As raízes foram colhidas em maio do ano seguinte, quando ao cortá-las com uma faca deixavam acumulado o amido na lâmina”.
O solo era bastante pesado e úmido, características indesejáveis a uma boa produtividade deste tipo de cultura. Além disso, bastante sombreado, o que provocou a perda de algumas raízes. Os 6,75 metros quadrados cultivados renderam 9 quilos de raízes que amassadas no pilão e depois lavadas na água de um recipiente (e deixadas decantar), resultaram em 1,5 kig de fécula peneirada, depois de seca ao sol.
Muito alva e fina, a fécula da araruta equivale à maisena de milho. Quanta à produtividade, extrapolando para um hectare (10.000 metros quadrados), calculamos uma produção de 13.481 quilos de raízes, o que daria 2.246 quilos de fécula por hectare. Indicada para a alimentação de crianças e idosos assim como a pessoas que tenham alergia ao glúten, a fécula de araruta tem propriedades medicinais, sendo utilizada como analgésico, cicatrizante, diurética, para tratamento da rouquidão, machucados, dores, no auxílio ao tratamento de queimaduras e picadas de insetos e animais peçonhentos.
Da fécula de araruta pode ser feito doces, biscoitos, sopas, mingaus; pode ainda ser usada como espessante em caldas de frutas e engrossamento de molhos e cremes alimentícios. Mais uma cultura que deveria ser resgatada e que poderia ser alternativa econômica à nossa produção local.
- 15-10-2009 |
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Ensino Técnico no Brasil |
Edegar da Silva
Foi em 1969 (40 anos atrás), que realizou-se o 1º Seminário de Estudos sobre o Ensino Agrícola, na Escola Técnica de Agricultura, em Viamão, promovido pela UGETI – União Gaúcha dos Estudantes Técnicos e Industriais. Relembre-se que em 1966 tinha sido editada a Lei Federal 5.194 que regulamentou as profissões de Engenheiros, Arquitetos, Agrônomos e Afins, criando um sistema de fiscalização do exercício destas profissões, o Sistema CONFEA/CREAs.
Reação imediata levou os técnicos de nível médio a conquistarem dois anos depois uma lei, a Lei Federal 5.524/68, que regulamentava o exercício da profissão de técnico industrial de nível médio e era aplicável no que coubesse aos técnicos agrícolas. Ocorre que estabelecia-se então uma luta pela regulamentação desta Lei, o que só ocorreu em 1995.
No momento daquele encontro de 1969, em Viamão, o assunto estava em plena efervescência. Dele participaram 80% dos grêmios das escolas técnicas agrícolas do Estado e os Drs. Erb Veleda, e Vanderlei do Prado Barreto, diretor e diretor substituto do Ensino Técnico Agrícola do MEC.
Como sempre a liderança era dos gaúchos e foi a primeira vez que participei de um evento de porte em prol da categoria, numa luta que depois viria a abraçar por 10 anos. Lembro que uma das propostas que mais chamaram a atenção foi a do Dr. Mozart Pereira Soares, técnico rural, ex-professor da ETA, além de médico veterinário e professor da Faculdade de Veterinária da UFRGS.
Ao discorrer sobre a qualidade dos cursos, lembro que o prof. Mozart defendia que as escolas deveriam ter um currículo flexível com toda uma gama de conhecimentos e maior ênfase na agricultura ou na zootecnia conforme a localização da escola. “Teremos um técnico em melhores condições sem descurar dos conhecimentos básicos para um profissional”.
“As matérias de conhecimentos gerais, ao nosso ver, são indispensáveis ao bom ajustamento do indivíduo na sociedade”, concluía ele. “O Agrotécnico”, jornal daquela escola, em editorial, reconhecia que o “ensino teria que ser mais prático e não só teórico” para que os profissionais pudessem interessar ao mercado de trabalho.
Já formado, trabalhei inicialmente na AGASA, como técnico agrícola (isso nos anos de 1972, 1973 e 1974); ficando depois por mais de 18 anos na ICI, com atuação nos estados do RS, SC e PR (de 1974 a 1992). Foi neste período, sempre trabalhando como técnico agrícola de nível médio, que pude exercer plenamente uma função de liderança.
Tornei-me, inicialmente, secretário geral da ATARGS; presidente da ATARGS e depois secretário geral da FENATA – a Federação Nacional dos Técnicos Agrícolas, função na qual viajei vários estados brasileiros e me tornei uma das principais lideranças da categoria a nível nacional.
Hoje o reconhecimento à importância desta categoria já é fato nacional no Brasil; a profissão está regulamentada; o sistema sindical e de representação já consolidado e os governos convencidos da importância do ensino técnico médio para o desenvolvimento de uma nação. Estou convencido que cumpri meu papel e esperançoso que meus colegas mais novos dêem continuidade a tudo que se construiu!
Edegar da Silva
Técnico Agrícola e Jornalista.
- 11-08-2009 |
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Clube José do Patrocínio |
Transcrevemos, abaixo, artigo do jornalista Edegar da Silva.
CLUBE JOSÉ DO PATROCÍNIO.
O Diário Oficial do Estado, na sua edição de 12 de agosto de 1948, publicava o estatuto de uma sociedade criada em Osório, o Clube José do Patrocínio e um extrato do mesmo que resume alguns de seus tópicos, como por exemplo “Fins: Realizar reuniões e divertimentos de caráter social e cultural, diversos jogos obedecendo as instruções que emanarem das entidades superiores e realização de provas esportivas periódicas entre os associados”.
Outros tópicos são assim definidos: “Administração: Diretoria, composta pelo Presidente, vice-presidente, 1º. e 2º. Secretários, 1º. e 2º. Tesoureiros, diretor social, oradores e Conselho Fiscal constituído de três membros. Também foram previstas a “Reforma dos Estatutos: poderá ser feita pelo Conselho Deliberativo”, as “Condições de Extinção: O clube poderá ser dissolvido sómente por motivos de dificuldades insuperáveis, por deliberação de uma assembléia geral extraordinária, convocada expressamente para esse fim e composta pelo menos de dois terços dos sócios quites.”
No que tange ao “Destino do Patrimônio: Resolvida a dissolução e depois de pagos todos os débitos do clube, reverterão seus bens em beneficio de asilos e casas de caridade. Os troféus, taças, medalhas, pavilhões, arquivos e objetos de arte, terão dados os destinos que a diretoria conjuntamente com o Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal, em assembléia geral lhes derem.”
O estatuto em nada identificava o Clube José do Patrocínio com os indivíduos da raça negra, mas históricamente, toda a comunidade sempre rotulou o Patrocínio como o clube dos negros e nas relações de entidades representivas da raça negra a nível do Estado está incluído. Teve ele uma importância e um papel histórico na vida social da cidade, com a realização de bailes e outros eventos, especialmente relacionados ao Carnaval e ao futebol. Foram quatro décadas de presença destacada do José do Patrocínio na vida da cidade.
Dos registros, um que localizamos foi o que está lavrado à folhas 192 e verso do Livro B no. 14, do Registro Civil de Osório sob no. de ordem 5442/395, em 31 de outubro de 1973. Trata-se do registro da ata de reunião do Conselho Deliberativo do clube para eleição da nova diretoria do mesmo. Naquela época o Patrocínio completava 24 anos de existência. Foi eleito presidente à época um líder da história do clube, Getúlio Ferreira da Silva.
Outro documento encontrado data de 05 de agosto1993 (ata), quando houve uma assembléia geral em que foi reeleito o presidente Getúlio Ferreira da Silva e reformulada a Diretoria nos seus demais cargos. Ficou assim reformulada a administração do clube para o período 1993/1994. às voltas com dificuldades, uma nova ata de 07 de dezembro de 2001, decidiu pela extinção do clube e pela doação da sede para a recém criada Fundação Cultural Moçambiques (Lei Municipal no. 3.322, de 22 de agosto de 2001), desde que esta tivesse seu nome substituido para Fundação Cultural José do Patrocínio.
Lamentavelmente, apesar dos esforços de muitas pessoas, a antiga sede social do Clube José do Patrocínio continua sendo deteriorada na esquina das ruas 24 de Maio e Barão do Triunfo (rua do Valão), no Centro de Osório e a fundação não prosperou até hoje, perdendo a cidade uma das suas entidades mais genuínas e que sempre foi um patrimônio representativo de uma das etnias de extraordinária presença na formação da sua população, a negra, com seus hábitos e costumes trazidos pelos escravos que aqui chegaram vindos do continente africano.
Edegar da Silva é Técnico Agrícola e Jornalista
- 02-08-2009 |
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O Museu Antropologico de Osorio |
O MUSEU ANTROPOLÓGICO DE OSÓRIO
Edegar da Silva (*)
Quando da inauguração do Museu Antropológico de Osório, em 20 de agosto de 1985 era prefeito o senhor Bruno Niederauer e secretário da Cultura, Desporto e Turismo o recentemente prefeito Eduardo Renda. “Este é um momento histórico. E eu, como diretor do Museu Antropológico do Rio Grande do Sul, me sinto honrado em participar dele”, disse Antônio Augusto Fagundes, o Nico Fagundes, naquele ato. Atualmente o Museu leva o nome do ex-prefeito Leonel Mantovani.
A idéia já vinha de anos anteriores, desde 1979, quando o Governo criou em Osório o 1º. Pólo Cultural do Estado. O município à época teve dificuldades em conseguir desapropriar um prédio na cidade para instalar o Museu o que só ocorreu com a construção do novo centro administrativo (a atual sede da Prefeitura Municipal) o que liberou o prédio da antiga prefeitura, onde foi instalado o Museu. Hoje, depois de ter ido paro antigo prédio da Estação Ferroviária na avenida Getúlio Vargas e de ter passado um período em que foi improvisado no primeiro andar do Prédio da antiga loja A Moda, o Museu voltou para a sala do prédio da antiga prefeitura, que abriga a Biblioteca Municipal no térreo e o Museu Antropológico no primeiro andar ao lado do Arquivo Histórico.
“O Museu, hoje, deve se renovar sempre, motivando as pessoas a visitá-lo”, explicou Renda à época. Na verdade, por falta de gestão, isso não aconteceu ao longo desses 24 anos (ou na maior parte deles). “O acervo será sempre renovado. Aqui nunca se encontrará as mesmas coisas”, completou Eduardo Renda. Eu mesmo, numa época mobilizei e identifiquei várias peças, além de doar ao museu as que possuía e tinham algum valor histórico, entre as quais estão um descaroçador de algodão (do tempo em que ainda se cultivava algodão arbóreo no Litoral Norte); fusos de fiar para produzir fios a partir da lã ovina; canelinhas para manipulação de tecelagem; roca de fiar para produzir fios de lã, de algodão ou de linho.
Na verdade resgate de uma atividade a qual se dedicavam várias pessoas da minha família, desde a época em que vivam em Santo Antônio da Patrulha. Das minhas viagens pude trazer peças de borracha natural, peças de couro e de palhas das palmeiras do nordeste brasileiro; instrumentos musicais que trouxe do Paraguay e de Cuba. Doei ao museu também notas e moedas diversas, inclusive uma pataca, a mais primitiva moeda ainda da época do império. Lembro também de balas de fuzil encontradas na Fazenda Maciel, junto à Lagoa dos Barros e que são remanescentes de combates travados à época da Revolução Farroupilha.
Confesso, porém, que em certo momento temi pela segurança e pelo bom uso de tudo isso face ao descuido com o acervo do Museu que perdurou por muitos anos. Acho que é sempre oportuna uma campanha permanente de promoção do Museu, de pedido e doação por parte de famílias ou de pessoas; um movimento de valorização, com visitação e utilização por parte de estudantes e estudiosos dos bens do acervo. Oxalá os gestores da política cultural da cidade (quer seja o poder público municipal, a AEC ou outros segmentos) tenha esta visão e consiga implementá-la.
(*) Técnico Agrícola e Jornalista
- 24-07-2007 |
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UERGS, o que fazer com ela? |
Publico opinião do presidente da Juventude Estadual do PMDB Gabriel Souza sobre o momento que vive a UERGS.
"Em 2001, no auge da discussão sobre a criação da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Lei nº 11.646, de 10 de julho de 2001), eu ocupava a vice-presidência da União Gaúcha dos Estudantes - Uges, e tive a oportunidade de participar do processo. Lembro bem o alerta que fazíamos, referente à falta de investimentos no ensino fundamental e médio - esses, responsabilidades constitucionais do Estado - que a educação do Estado já sofria, e questionávamos a criação da Uergs, argumentando que, primeiro, o governo (na época, o Rio Grande do Sul era governado por Olívio Dutra) deveria solucionar o grave problema da educação de primeiro e segundo grau para, somente após, criar uma estrutura estadual de educação de terceiro grau.
Era mais ou menos assim: se faltam professores nas escolas, como ainda querem criar uma universidade? Se os professores da rede estadual recebem salários míseros, como querem contratar professores universitários? O governo defendia a proposta argumentando que a Uergs seria uma "universidade tecnológica, com ênfase nas potencialidades econômicas regionais".
Recordo muito bem da máquina de comunicação do governo e do PT defendendo a criação de uma universidade que, na verdade, acabaria por se mostrar vazia e impotente, em razão dos parcos recursos a serem investidos na área.
O governo prometia tratar-se de uma fundação multi-campi, que garantiria a formação superior gratuita. Oportunizaria cursos de graduação e de pós-graduação, cursos de tecnólogo, cursos sequenciais, podendo incluir cursos à distância. Realizaria cursos de extensão, particularmente de extensão tecnológica, além de pesquisa. Pretendia se constituir uma universidade comprometida com o desenvolvimento do Estado.
Segundo o Secretário de Ciência e Tecnologia da época, Renato Oliveira, na sua justificativa do por quê de uma nova universidade pública no Rio Grande do Sul, não criar essa nova universidade "seria abrir mão de participar do mundo de um canal privilegiado de apropriação de riqueza, a ciência e a tecnologia".
Acrescentando que "nenhuma política social isolada é capaz de gerar efeitos em cadeia numa sociedade". Para isso, afirma que "a experiência de países como Coréia do Sul, Finlândia e Irlanda mostram que o aumento do nível de vida de suas populações é o resultado de políticas articuladas envolvendo todos os níveis de ensino, além de uma política de ciência e tecnologia articulada com uma política industrial que os capacitou a desenvolverem maior agressividade econômica, aumentando sua participação relativa na distribuição da riqueza produzida pela economia mundial".
Todas essas afirmativas contestavam, inclusive, a argumentação do Banco Mundial e de outros organismos internacionais, que recomenda ao Estado se concentrar nos graus de ensino básico e médio.
Defendo muito claramente a mesma posição desde aquela época: ao Estado cabe o investimento em melhorias nos ensinos fundamental e médio, devendo também concentrar esforços na formação de uma rede competente de ensino técnico-profissionalizante.
Agora, a Uergs vive novo dilema, beirando a ruína. É que o governo Yeda ainda não decidiu de fato sobre o que fazer em relação a Universidade. Não acaba com a instituição para evitar (ainda) mais desgaste político e também não investe na mesma, por não acreditar que a Uergs seja realmente resolutiva e capaz de se transformar em uma, como prometia o PT, "universidade tecnológica, com ênfase nas potencialidades econômicas regionais".
É preciso uma discussão séria sobre o assunto, até porque estamos falando de uma área extremamente importante para a nossa sociedade e que não deve ser tratada com tamanho desleixo como, infelizmente, está ocorrendo hoje."
*presidente da JPMDB/RS, secretário-geral da JPMDB Nacional e membro do Conselho Nacional de Juventude - 04-07-2009 |
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A Política como ciência |
O estudo da política como uma ciência é relativamente novo no Brasil. Diferente do que ocorre no primeiro mundo, principalmente nos EUA. Lá o cientista político é um profissional reconhecido e requisitado. O próprio predidente americano Barack Obama, bem como a maioria de seus assessores são formados em ciência política. É muito comum, quando digo que curso Ciência Política, perguntarem-me que tipo de trabalho farei após formado.
Um de meus professores, Paulo Moura, Drº em Ciência Política, publicou um interessante artigo em seu site sobre essa atividade profissional o qual reproduzo abaixo:
22/06/2009 | Paulo G. M. de Moura
No século XIX as Ciências Sociais subdividiram-se em áreas especializadas dando origem à Política; a Sociologia e a Antropologia. Adam Smith fundou a Ciência Econômica, à época chamada Economia Política. Com a expansão do industrialismo surgiram os estudos sobre da Administração da produção. Poucos sabem que a origem da Administração é legado do Império Romano e também se associa ao saber político. Foi Napoleão quem, posteriormente, recuperou a dimensão nacional da Administração Pública. A Política, portanto, é mãe dessas e outras ciências.
A compartimentalilzação do saber, no entanto, é um recurso metodológico para a pesquisa e a educação. A realidade e os indivíduos são unos e indivisíveis. Nossas dimensões política, econômica, cultural, social e psicológica acontecem de forma simultânea. Mas, a especialização e a valorização excessiva do saber técnico relegaram ao segundo plano as disciplinas incumbidas de construir as conexões entre os fragmentos dessa totalidade indissociável que une indivíduo e sociedade.
Perdidos nos “escaninhos” em que o conhecimento hiperespecializado se meteu os tomadores de decisões não conseguem recuperar a visão do todo. O impacto dos avanços tecnológicos nos impõe, a todo o momento, novos desafios de aprendizagem. Ou nos submetemos ou corremos o risco de perdermos poder e de ser desalojados do mercado. Líderes políticos que não compreendem a dinâmica desses acontecimentos ainda não perceberam que para lidar com as tecnologias modernas de comunicação e relacionamento em redes distribuídas são necessários conhecimentos específicos que não se obtêm sem o estudo sistemático.
Entender a realidade contemporânea, hipercomplexa, veloz e permanentemente cambiante, tornou-se um imperativo para nossa sustentabilidade, tanto mais quanto mais avança o processo de globalização. Por trás de todos os principais líderes políticos do mundo contemporâneo existe um arsenal tecnológico (marketing político, comunicação política, pesquisas quantitativas e qualitativas, novas formas de gestão, planejamento e controle de políticas públicas) que o cidadão leigo sequer imagina.
Entender as relações entre os processos sociais, econômicos, culturais, políticos e psicossociais que acontecem de forma descontrolada na sociedade global; e antecipar suas conseqüências, tornou-se condição para prevenir eventuais obstáculos interpostos pelo ritmo tenso e nervoso da economia em fase de globalização, ou para tirarmos partido dessas mudanças e transformando as crises em oportunidades.
Interpretar a dinâmica da sociedade global; entender a história enquanto ela acontece e projetar os cenários do futuro é a missão da Ciência Política. Para isso é indispensável que o Cientista Político domine sua disciplina. Mas também, é imprescindível que seja capaz de selecionar informações nos campos da História; da Economia; da Administração Pública e Privada; da Sociologia; da Cultura; do Direito; da Comunicação Social e das novas tecnologias, a partir uma perspectiva teórica que permita o entendimento das relações existentes entre as diferentes dimensões da vida social; reconstruindo a realidade como conhecimento.
Ao estudar Ciência Política, mais do que preparar-se para uma carreira acadêmica ou política, o futuro profissional dessa área está se preparando para entender o jogo das relações de poder presente em todas as organizações (públicas ou privadas); para atuar como um negociador preparado no complexo jogo do mercado hipercompetitivo da economia globalizada; e, para atuar como analista e planejador, a serviço de empresas; partidos; governos e líderes políticos e empresariais, num contexto macrossocial em que, enxergar na frente e antes é condição para a sobrevivência política; econômica e social.
Diferente dos cursos de viés acadêmico de outras universidades brasileiras, o curso de Ciência Política da Universidade Luterana do Brasil (www.ulbra.br), adota o enfoque aplicado das universidades norteamericanas. Com nota máxima em todos os quesitos de avaliação do MEC, o curso da Ulbra oferece sólida formação teórica aliada à preparação para atuar com marketing político; pesquisas eleitorais; gestão de políticas públicas; análise política; assessoria parlamentar e de governos e docência. É isso o que encontrará quem buscar o vestibular para o Curso de Ciência Política da Ulbra, a se realizar no próximo dia 04 de julho.
- 28-06-2009 |
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